Ruína da Capela de São Bento: Paulista, Abreu e Lima e Igarassu Guardiãs da História e do Futuro Sustentável do Litoral Norte de Pernambuco.
- preservepaulista

- 8 de abr. de 2025
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Atualizado: 9 de abr. de 2025
Foto : Preservepaulista.

No ponto mais alto entre os municípios de Paulista e Abreu e Lima, repousa silenciosa, porém imponente, a ruína da Capela de São Bento. Seus arcos de pedra e paredes sobreviventes resistem ao tempo como testemunhas de séculos de história, fé e resistência. Mais do que uma relíquia do passado, esse monumento carrega consigo a oportunidade de reimaginar o futuro do litoral norte pernambucano — unindo patrimônio, cultura e desenvolvimento sustentável.
Memória erguida em pedra - Capela de São Bento
Construída no século XVII como parte do antigo Engenho Jaguaribe, a Capela de São Bento integrou um dos primeiros focos de ocupação colonial de Pernambuco. Seu entorno foi palco de momentos decisivos da nossa história, como a Revolução Praieira, e abriga vestígios das antigas aldeias indígenas registradas pelo IPHAN, tornando a região um verdadeiro mosaico arqueológico e histórico.
A capela está situada em território que pertenceu à antiga Sesmaria Jaguaribe, doada por Duarte Coelho em 1540 ao feitor e almoxarife da Fazenda Real, Vasco Fernandes de Lucena. Nessa terra, surgiram alguns dos primeiros engenhos de açúcar da colônia, como o próprio Engenho Jaguaribe, considerado por muitos estudiosos o quinto engenho em funcionamento no Brasil colonial.
Uma janela para a história e a natureza
A localização da ruína não é apenas simbólica: de lá, avista-se a exuberância da Mata da Jaguarana, o Rio Timbó e a cidade do Paulista — compondo um cenário onde história e natureza se entrelaçam. A vista panorâmica transforma o local em um mirante natural e sensorial, capaz de despertar não só o olhar, mas também a consciência sobre a importância de preservar o que temos de mais valioso.
Cultura viva e identidade local
O entorno da capela pulsa com vida por meio das manifestações culturais que atravessam gerações: o coco de roda, a ciranda, os sabores intensos da gastronomia local. Do Janga à Ilha de Itamaracá, há uma rica tapeçaria cultural que merece visibilidade e valorização. Diferente do litoral sul, mais voltado ao turismo de massa, o litoral norte guarda uma autenticidade que precisa ser celebrada — com respeito às comunidades, à natureza e às memórias do território.
Oportunidade para um novo modelo de turismo
A ruína da Capela de São Bento tem potencial para se tornar símbolo de um novo tipo de turismo: mais consciente, verde e experiencial. Um turismo que valorize a ancestralidade, fortaleça as economias locais e preserve tanto a cultura quanto o meio ambiente. O desafio é transformar esse tesouro histórico em um polo de educação patrimonial, ecoturismo e articulação comunitária.
Foto: PreservePaulista

Preservar é um ato de futuro
É hora de olhar para o litoral norte com o cuidado e a atenção que ele merece. A antiga Sesmaria Jaguaribe, hoje dividida entre Abreu e Lima, Paulista e Igarassu, é um berço de identidade pernambucana que não pode ser esquecido. O Programa Jaguaribe já iniciou esse trabalho por meio de escavações e pesquisas científicas. Agora, é preciso ir além — envolver o poder público, a comunidade e os agentes culturais em uma verdadeira aliança pela preservação.
Porque proteger a Capela de São Bento e o território que a cerca é, acima de tudo, proteger nossa memória, nossa natureza, nossa cultura e nossa esperança de um futuro sustentável.
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